Dólar fecha em queda com busca por risco no exterior e cena eleitoral

O dólar fechou em queda nesta terça-feira (16), após divulgação da pesquisa Ibope para presidente na noite de segunda-feira e influenciado pelo ambiente de maior busca pelo risco no exterior.

Ibope para presidente, votos válidos: Bolsonaro, 59%; Haddad, 41%

A moeda norte-americana caiu 0,30%, vendida a R$ 3,7201. Na mínima do dia, o dólar chegou a R$ 3,6919, e na máxima, a R$ 3,7305.

O mercado permaneceu atento à movimentação no cenário eleitoral. A preferência dos investidores é por um candidato que imponha uma agenda de reformas, corte de gastos e ajuste fiscal.

"Passada a eleição, poderemos ver um fluxo de venda no dólar, mas com menor volume, já que os investidores começam a colocar nos preços a expectativa pelo plano do novo governo, principalmente reforma da Previdência", afirmou à Reuters o sócio da assessoria de investimentos Criteria Investimentos, Vitor Miziara.

Segundo o operador da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado, a leitura otimista de investidores faz o mercado manter a resiliência de ativos locais, mas sem deixar de observar o clima no exterior.

No exterior, a terça-feira foi marcada pela busca por ativos de maior risco, o que fez o dólar perder força ante as divisas de países emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, a B3, opera em alta, chegando a ficar acima de 85 mil pontos.

Na véspera, a moeda norte-americana caiu 1,25%, vendida a R$ 3,7312.

O Banco Central ofertou e vendeu integralmente nesta sessão 7,7 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares. Desta forma, rolou US$ 4,235 bilhões do total de US$ 8,027 bilhões que vence em novembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Ajustes nas perspectivas


Desde agosto, a moe norte-americana vinha se mantendo acima de R$ 4, em meio a incertezas sobre o cenário eleitoral e também ao cenário externo mais turbulento, o que fez aumentar a procura por proteção em dólar.

A expectativa de que a cautela iria predominar nos mercados foi substituída por ajuste de posições nos últimos pregões, em meio ao resultado das últimas pesquisas eleitorais antes do 1º turno.

O mercado prefere candidatos com viés mais reformista e entende que aqueles com viés mais à esquerda não se enquadram nesse perfil. E, diante do resultado do 1º turno, o mercado entende que o país poderá ser governado por alguém com o perfil adequado à sua preferência.

A projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2018 recuou de R$ 3,89 para R$ 3,81 por dólar, segundo previsão de analistas de instituições financeiras divulgada por meio de boletim de mercado pelo Banco Central nesta semana. Para o fechamento de 2019, caiu de R$ 3,83 para R$ 3,80 por dólar.