Dólar fecha em alta e encosta em R$ 3,25, com cautela antes de julgamento de Lula

O dólar fechou em alta nesta terça-feira (23), voltando a se aproximar do patamar de R$ 3,25, com os investidores cautelosos com o desfecho do julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em segunda instância nesta quarta-feira (24), cujo resultado pode influenciar a corrida eleitoral deste ano.

A moeda dos EUA avançou 0,9%, a R$ 3,2381 na venda, maior alta desde 12 de dezembro, quando subiu 0,93%. Na máxima do dia, a moeda norte-americana foi a R$ 3,2451, segundo a Reuters.

No primeiro mês do ano, o dólar ainda acumula queda de 2,3%.
"O evento de amanhã pode ser um catalisador para algum desempenho melhor ou pior (do que o exterior), mas achamos que a diferença, em caso de um desfecho positivo não será dramática, e teremos tempo de voltar ao risco", disse à Reuters o diretor de Tesouraria de um grande banco.

Julgamento de Lula

Internamente, a expectativa do mercado é pelo desfecho na quarta-feira do julgamento em segunda instância de Lula em ação do tríplex no Guarujá, pela qual recebeu pena de nove anos e meio de prisão.
Até a decisão final, no entanto, a defesa de Lula tem vários recursos para adiar o processo e tentar evitar que, no dia dos registros das candidaturas, em 15 de agosto, Lula possa ser considerado inelegível.

Segundo especialistas ouvidos pela Reuters, os mercados financeiros já precificaram derrota de Luiz Inácio Lula da Silva no julgamento desta quarta-feira. Por outro lado, uma decisão da segunda instância que abra ao ex-presidente leque maior de recursos pode se converter em dólar mais caro, apostas de juros maiores e quedas na bolsa de valores.

O mercado espera que os três juízes federais da 8ª Turma do Tribunal Regional Federal neguem o recurso de Lula contra sua condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro na operação Lava Jato. Divergência entre os magistrados permite número maior de recursos.

Na hipótese de os três negarem o recurso de Lula, ainda que divergindo sobre o tempo de prisão, o dólar permaneceria no patamar atual, podendo até mesmo cair a R$ 3,12 a R$ 3,15, de acordo com os economistas ouvidos pela Reuters.

Na hipótese de um resultado diferente do esperado pelos mercados, o cenário externo mais positivo, com maior recuperação da atividade global e políticas monetárias sem surpresas, tenderia a suavizar movimentos mais bruscos no câmbio.

"O mercado melhorou muito nesse começo de ano. Tem uma sequência de eventos nos Estados Unidos que melhoraram, ativos de risco melhorando lá fora e aqui", acrescentou o economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano.