Nota do Brasil não sobe só com reforma da Previdência, diz agência de risco

A reforma da Previdência é decisiva para o equilíbrio fiscal brasileiro mas não é suficiente para estabilizar o endividamento ou levar a uma revisão de rating positiva do país, alertou nesta quinta-feira (16) o diretor-executivo da agência de classificação Fitch Ratings no Brasil, Rafael Guedes.

"Falamos que a reforma previdenciária é a mais importante, é a mãe das reformas, mas de maneira nenhuma é suficiente para levar o Brasil a um patamar de estabilização do seu endividamento ou até mesmo a uma revisão de rating positiva", disse ele durante evento da Fitch em São Paulo.

"A reforma previdenciária é extremamente importante, mas temos que fazer mais reformas. Ela é somente o começo de uma agenda que tem que ser perseguida, seja por esse ou qualquer governo", completou.

A última ação de rating da agência para o Brasil foi em 1º de agosto de 2018, quando reafirmou a nota atribuída ao Brasil em "BB-", com perspectiva estável.

Com essa nota, o país está três degraus abaixo da faixa chamada de grau de investimento, considerada de baixo risco.

Para a diretora sênior do Grupo Soberano da Fitch para América Latina, Shelly Shetty, incertezas e divisões no Congresso são obstáculos em um momento delicado para a economia do país.

"Dados recentes mostram que o crescimento do Brasil não decolou, e o principal risco para o desempenho econômico é a decepção com agenda de reformas", disse ela em vídeo mostrado durante o evento.

"A agenda de reformas é positiva, mas incertezas sobre o momento e a fragmentação do Congresso são obstáculos", completou.

Fonte: Folha de SP