Apenas 28,7% das empresas adotam práticas de gestão de risco, aponta estudo da Fiesp

A estimativa é de que 28,7% das empresas adotem práticas de gestão de risco. Outras 39,1% o fazem de modo parcial. Os números são da pesquisa “Rumos da Indústria Paulista – Gestão de Risco”. E foram apresentados na manhã desta terça-feira (16/10), na sede da Fiesp, em São Paulo, no workshop Gestão de Riscos na Indústria. O evento, organizado pelo Departamento de Defesa e Segurança (Deseg) da federação, reuniu empresários e especialistas.

“Queremos estabelecer conexões para que as informações sobre o tema circulem com mais eficiência”, disse o diretor do Deseg, Ricardo Franco Coelho, na abertura do encontro. “Gerar valor para a indústria e para a sociedade”.

Segundo Coelho, é preciso trabalhar para que o modo de pensar sobre o risco seja mais simples. “Temos que trazer novas informações para o debate sobre o que pode dar errado e sobre o que nós vamos fazer para superar essas dificuldades”.

Diretor do Deseg e coordenador do grupo de Gestão de Risco do departamento, Fernando Só e Silva destacou que o evento teve origem na metodologia adotada pela equipe de trabalho sobre o tema.

“Menos segurança, mais custo Brasil”, disse. “Temos o nosso Observatório dos Mercados Ilícitos, tocado por uma equipe sempre em busca de dados, informações que mostrem o impacto da falta de segurança para as empresas”.

Entre as várias ações de apoio às empresas na área, segundo Silva, estão os vídeos da série Diálogos de Segurança com a indústria.

Vice-presidente da Fiesp e diretor titular adjunto do Deseg, Dagmar Cupaiolo lembrou que a Fiesp envia informações sobre segurança para uma base de mais de 133 mil indústrias organizadas em mais de 120 sindicatos. “Somos uma organização imensa e que envolve o Ciesp, o Sesi-SP e o Senai-SP”, disse.

Ele destacou ainda os riscos trazidos pelos chamados ataques virtuais.

Pesquisa

De acordo com Silva, que apresentou os resultados da pesquisa aos participantes do evento, o objetivo do estudo é estimular a “administração preventiva dos riscos”. Foram ouvidas 453 empresas no estado.

Perguntados se a empresa tem atividades de gestão de risco, 28,7% dos empreendedores ouvidos disseram sim e, 39,1%, parcialmente.

“Em torno de 49,3% não praticam essa gestão por falta de conhecimento e 30,1% por falta de recursos”, explicou Silva. “Outros 17,1% delegam as ações na área para um corretor de seguros”, disse. “As empresas precisam de informação: se pensarmos, sai mais barato investir”.

Entre os empreendedores ouvidos, 37,5% registram ocorrências de danos ao patrimônio.

Perguntados se contratam algum tipo de seguro, 75,7% têm proteção contra incêndio, 71,3% contra danos a veículos e máquinas e 62,9% contra furtos e roubo. “A indústria não sabe que corre riscos na profundidade que a legislação determina”, destacou Silva.

A quem reportar

No item a quem se reporta a área de gestão de risco, 43% responderam à diretoria executiva e 39,1% à administração geral.

Sobre como organização dissemina a cultura de gestão de risco, 47,9% promovem a participação em treinamentos e palestras.

Em torno de 60,6% não usam nenhum sistema de informação específico para a gestão de risco.

Diante do questionamento a respeito do uso de algum sistema de medição para demonstrar os resultados das atividades de gestão de risco e ou segurança patrimonial, 46,6% não têm nenhuma ação nessa linha.

No chão

Segundo Coelho, o empresário pode não ter se dado conta, mas vive num universo de risco. “E isso pode colocar a empresa no chão”.

Para ele, é preciso pensar também “na ética dentro das organizações”. “E isso deve ser visto como uma questão prática. “Precisamos pensar no argumento da falta de recursos, é possível avançar sem assinar cheque, debatendo alguns pontos, por exemplo”.

Isso em vez de seguir a tendência “de dar a tudo um viés de normalidade, reduzir o tamanho de um problema que não se conhece direito”.