Mercosul e Reino Unido negociam acordo de livre comércio, diz Meirelles

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira (22), em Londres (Inglaterra), que há conversas iniciais em andamento sobre um possível acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Reuno Unido.

"[O acordo] poderá ser efetivado depois do Brexit", disse Meirelles, se referindo ao processo de saída do Reino Unido da União Europeia. A declaração foi feita a jornalistas após reunião com o ministro de Finanças do Reino Unido, Philip Hammond.

"As negociações estão andamento. Eles têm interesse em ter acordo com o Brasil, mas certamente sendo com o Mercosul, mais abrangente. A negociação formalmente será Mercosul com o Reino Unido. É o interesse maior ainda", completou o ministro. O áudio da entrevista foi divulgada pelo Ministério da Fazenda.

O Mercosul também já vem negociando há vários anos um acordo de livre comércio com a União Europeia. No fim do ano passado, em Buenos Aires (Argentina), houve tentativa de finalizar as tratativas, mas as negociações não foram fechadas e continuarão a se desenrolar em 2018.

Fórum Econômico Mundial

O ministro da Fazenda brasileiro parou em Londres para conversar com investidores antes de seguir para Davos (Suíça), onde participa, juntamente com o presidente Michel Temer, do Fórum Econômico Mundial. O tradicional fórum, realizado nos Alpes Suíços, reúne todos os anos lideranças mundiais, políticos, banqueiros e investidores. O objetivo é discutir temas econômicos e desenvolvimento.

Questionado sobre o que fazer para reverter o rebaixamento da nota brasileira pela agência de classificação de risco Standard & Poors, Meirelles afirmou que vai continuar trabalhando para consolidar o crescimento da economia brasileira, com a estimativa de uma alta de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e geração de 2,5 milhões de postos de emprego, além de colocar ênfase na votação da reforma da Previdência, prevista para ser votada em 19 de fevereiro no plenário da Câmara dos Deputados.

"Acreditamos que será aprovada [a reforma da Previdência]. É uma necessidade. O que se discute não é se haverá uma reforma da Previdência, mas quando haverá. Idealmente, agora em fevereiro. Se não for agora, depois", declarou Meirelles. Em sua visão, a possibilidade de aprovação da reforma no próximo mês é de mais de 50%.

Caixa

Sobre a aprovação do novo estatuto da Caixa Econômica Federal, que aconteceu na última sexta-feira, limitando as indicações políticas aos cargos de vice-presidente e diretores da instituição financeira, o ministro disse que considera esse um "avanço muito grande, um passo à frente".

Ainda sobre o banco estatal, Meirelles afirmou que o governo está procurando "diversas alternativas" para capitalizá-lo, sem que seja necessário utilizar os recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).

"O que eu tenho dito é que é possível, existe a possibilidade, que a capitalização não demande o uso dos fundos do FGTS. Porque a Caixa tem fontes outras de capitalização, seja na área de retenção de dividendos, ou cessão de carterias, tem uma serie de coisas em andamento", concluiu.