Fiesp e Apex-Brasil promovem seminário preparatório para missão à China

Em mais uma etapa preparatória para as missões empresariais que a Fiesp e a Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) farão à China International Import Expo, em novembro, um seminário reuniu especialistas e empresários nesta segunda-feira (15 de outubro), na sede da federação, em São Paulo.

O diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, abriu os trabalhos do dia com boas-vindas às empresas que se preparam para participar de um dos maiores eventos de comércio exterior do mundo, muitas delas em sua primeira experiência com o gigante chinês. “A China entrou em uma nova fase que supera os milhões trabalhadores que saíram da área rural para o mercado de trabalho; os chineses contam agora com milhões de novos consumidores”, assinalou Zanotto, acompanhado pelo diretor do Derex Harry Chiang. A delegação da Fiesp que vai à Shanghai é formada por 120 empresários de 70 empresas.

O evento contou com a participação do futuro embaixador do Brasil na China e atual subsecretário-geral para América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, Paulo Estivallet. Para ele, a CIIE 2018 marca um importante ponto de inflexão da China e representa uma oportunidade única para a indústria brasileira. “A China é um parceiro de primeira grandeza para o Brasil, e o setor privado tem um papel insubstituível na composição de uma política comercial entre os países”, defendeu.

Durante a abertura do encontro, o embaixador e presidente da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, frisou que só no ano passado os chineses importaram US$ 1,84 trilhão, e no primeiro semestre deste ano, mais de US$ 1 trilhão. “Esse ritmo prevê um crescimento de quase 20% de importação em um momento em que quase todas as economias do G20, o grupo das 20 maiores economias do mundo, diminuíram suas importações por razões diversas, inclusive medidas protecionistas”, detalhou.

Da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Pedro Pereira, falou sobre como acessar o mercado chinês, enquanto o chefe da divisão de Defesa Agropecuária no Estado de São Paulo do Ministério da Agricultura, Esequiel Liuson, tratou dos temas sanitários e fitossanitários exigidos pela China. Já o representante da Tozzini Freire Advogados, Reinaldo Ma, detalhou aspectos legais de propriedade intelectual na entrada do mercado chinês.

Os participantes acompanharam também apresentações da 24×7 Digital, sobre o comércio eletrônico na China, da Secretaria de Comércio e Serviços do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), da Apex-Brasil, do Centro Brasileiro de Design, da Blue Focus Internacional e da KPMG.

Serviços para empresários brasileiros na China

Existem serviços específicos que podem ajudar as empresas brasileiras a ganhar espaço lá fora. No início da tarde, foi organizado um painel sobre o tema. Um debate que teve a participação, entre outras personalidades, do representante da superintendência do Banco do Brasil, Cristiano Costa. A instituição tem uma unidade específica para ajudar os clientes com o comércio no exterior.

No Brasil, o banco tem 65 mil pontos de atendimento e a maior rede de agências, com 21,9% do mercado. Ao todo, conforme Costa, são mais de 66 milhões de clientes e 97 mil funcionários. “Estamos presentes em 17 países espalhados pelas três Américas, Europa e Ásia”, disse. Uma rede de apoio que envolve 900 pessoas dedicadas ao mercado internacional, 17 unidades de atendimento na área, 43 plataformas de negócios e 109 gerentes especializados.

Entre os serviços disponíveis estão operações de importação e exportação de câmbio, Proex Financeiro, que é na verdade o Programa do Governo Federal de Apoio às Exportações Brasileiras de Bens e Serviços. “Ajudamos as empresas a diversificarem mercados, no recebimento à vista de vendas a prazo, com juros mais baixos, sem tributos nas operações”. Estão disponíveis ainda, de acordo com Costa, linhas de financiamento à importação, cartas de crédito como modalidade de pagamento internacional, consultoria.

“O BB Xangai é o único banco latino-americano com operações na China”, disse. “Temos conhecimento do mercado local e seus costumes, disponibilizamos um espaço de negócios para empresas brasileiras naquele país”, explicou “Nossos funcionários falam chinês, português e inglês”, afirmou. “Fiquem à vontade para usar o nosso espaço para fazer reuniões em Xangai”, ofereceu Costa aos empresários que vão participar da missão em novembro.

Zhang Guanghua, presidente do Bank of China no Brasil, terceiro maior banco do mundo, foi outro convidado do painel. Ele contou que a instituição chinesa tem mais de cem anos. De origem imperial, em 1912 tornou-se o Banco da China e hoje conta com 1,6 mil agências em 55 países. “Fechamos o último trimestre com mais de US$ 3 trilhões em recursos”, disse. “Além de banco comercial, somos também um banco de investimentos, seguros, leasing”, detalhou. As operações do Bank of China no Brasil começaram em 2009, sendo essa a primeira atuação da instituição financeira na América do Sul. “Temos duas agências no Brasil, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro”, contou.

Zhang Xin, chefe do escritório CCPIT Brasil, espécie de conselho chinês para promoção comercial, reforçou o convite para que os brasileiros vendam para a nação da grande muralha. “Temos quatro escritórios na América Latina, sendo um deles em São Paulo”, disse. “A China é realmente um bom lugar para fazer negócios”.

De acordo com Xin, os trade shows são oportunidades boas de conhecer produtos e fazer contatos, ter acesso às práticas e tecnologias. “Convidamos todos a participarem das nossas feiras de importação”, afirmou. “Incentivamos as empresas chinesas a virem participar de trade shows no Brasil também”. O chefe do CCPIT Brasil colocou o conselho às ordens dos empreendedores nacionais. “Podem nos procurar”, garantiu.